Nos últimos anos, tenho percebido que a fauna tem sido melhor preservada, apesar do avanço da agricultura e da pecuária. A conscientização aumentou e, com isso, a presença de animais silvestres no meio rural tornou-se mais frequente. Também o mau trato aos animais domésticos passou a ser combatido, diminuindo bastante em relação ao passado
A história de hoje, contada pelo meu amigo José Eustáquio Marcelino, vem justamente desse tempo não tão distante em que certas práticas ainda ocorriam. Trata-se da decisão, nada recomendável, de um morador da zona rural que queria se livrar de uma cadela
A solução que o fazendeiro encontrou foi conduzir a cachorra até a cidade de Abaeté. Depois de percorrer várias ruas centrais, abandonou o animal na tradicional feira que acontecia aos sábados. Naquele tempo, a feira ainda era na praça da Prefeitura.
Depois de se desfazer da cadela, o fazendeiro realizou algumas compras, abasteceu o carro e voltou para casa. Ao chegar, teve uma grande surpresa: a cachorrinha abandonada já estava de novo na fazenda.
Na hora, bateu um arrependimento. O homem se sentiu até aliviado ao ver a cachorra de volta. Por um tempo, desistiu da ideia de se livrar dela
Meses depois, a mulher reclamou que a cadela estava comendo os ovos nos ninhos das galinhas. E lá foi refeito o plano de se livrar da Pretinha, que era o nome da vítima
Na primeira oportunidade, o homem levou a cachorra novamente para uma viagem sem volta. Dessa vez, procurou ser mais eficiente. Percorreu toda a cidade, deixou a cadela caminhar livremente, tornou a colocá-la no carro e pegou estrada em direção contrária à sua residência
Depois de vários quilômetros rodados, deixou a rodovia e adentrou uma floresta de eucalipto. Estacionou o carro e caminhou em zigue-zague pela mata por mais de uma hora. Deixou a cadela em liberdade e se deitou à sombra de uma árvore.
Acabou dormindo. Quando acordou, já anoitecia. A cachorra não estava mais ali. Decidiu telefonar para casa. A mulher atendeu e deu a notícia: “A Pretinha voltou, está aqui. E você, onde está?”
O fazendeiro, meio envergonhado, respondeu: “Estou perdido, numa floresta de eucalipto, perto do Quartel. Mande alguém trazer essa cachorra aqui, para ver se ela me encontra”.
Postado por: Renato Alves




