Menino ou Menina? – Causos da Roça

Há muitos anos, quando ingressei no serviço público, fui morar em Aracaju, capital de Sergipe, o menor estado do Brasil em extensão territorial. É um lugar maravilhoso, de gente hospitaleira e trabalhadora. Em razão do meu trabalho, acabei conhecendo todos os municípios do Estado, que também não eram muitos. Foi assim que descobri a história que vou contar aqui.

Naquele tempo, não havia esse costume de mulheres grávidas fazerem exames de ultrassom durante a gravidez, para acompanhar o desenvolvimento do feto e também conhecer previamente o sexo da criança, como é comum atualmente. Claro, já havia esse tipo de exame, mas não era utilizado para esse fim.

Os casais então recorriam a crendices para tentar saber se teriam um menino ou uma menina.

Mas, numa simpática cidade do interior de Sergipe, surgiu um médico que se dizia especialista em definição prévia do sexo de crianças, a partir do quarto mês de gestação.

Claro, o doutor se tornou uma celebridade na região. Apesar de ser um exame caro, o consultório do especialista ficava sempre cheio.

Com o tempo, vieram muitas polêmicas sobre acertos e erros do diagnóstico.

O caso chegou à polícia, porque casais insatisfeitos acusaram o médico de erro no exame na análise prévia realizada.

Na investigação, que teve busca e apreensão no consultório médico, além de oitivas de testemunhas e várias diligências, apurou-se que o doutor lançava na sua ficha o nome da mãe grávida e o sexo da criança, além de data e horário do exame, ao tempo que informava ao casal o sexo da feto, mas sempre invertendo o resultado escrito na ficha da paciente.

Ou seja se colocasse na ficha “masculino”, aos pais dizia “menina”. Se acertasse, não haveria reclamação. Mas, se não acertasse e recebesse a visita dos pais insatisfeitos, com calma, ele perguntava o nome da mãe, abria o fichário, informava a data e hora do atendimento e dizia: “se a senhora teve uma menina, foi mais um acerto meu. Está aqui registrado”. E mostrava a ficha.

Por Osvaldo

Eustáquio é ex-presidente da Cooperabaeté.

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