Modernização e Gestão Impulsionam Investimentos em Abaeté

A decisão de construir um compost barn na propriedade rural do produtor Bráulio Correia, em Abaeté, não foi impulsiva. Antes de investir, o produtor visitou cerca de 20 galpões no estado e ouviu de todos o mesmo diagnóstico: o sistema melhora o desempenho produtivo, aumenta o conforto animal e se paga com eficiência. “O que mais me motivou foi o feedback dos produtores. Todos estavam satisfeitos”, afirma.
Com quatro meses de operação, o galpão abriga 176 vacas paridas, com produção média diária de 4.500 litros. Um dos resultados mais imediatos foi o salto de produtividade: a média saltou de 20 litros por vaca/dia para 26 litros após a entrada no galpão. “Se você tem, da noite para o dia, um aumento de 30% na produção de leite, sem aumentar custos, é claro que a rentabilidade sobe”, afirma Bráulio.

Além do ganho zootécnico, ele destaca que o sistema tem impacto direto no manejo: redução de barro, menor incidência de mamite ambiental, melhoria nas condições de trabalho e segurança para funcionários, estabilidade no período das águas e possibilidade de planejamento para o rebanho. O galpão também libera área da fazenda para outros usos, como lavoura e pecuária de corte, aumentando a eficiência territorial.

Investimento e modelo adotado

O galpão implantado segue o padrão de compost barn com cama de 1.800 m², construída com base de concreto e estrutura metálica. O dimensionamento utilizado é o parâmetro de 10 m² de cama por vaca instalada, o que permite alojar 180 animais. O investimento, segundo o próprio produtor, acompanha a média de mercado: entre R$ 10 mil e R$ 12 mil por vaca.

O produtor avalia que o sistema representa o “presente” da pecuária leiteira. “No passado, compost barn parecia futuro distante. Hoje se tornou viabilidade. Para remunerar capital, alcançar 30 a 35 litros por vaca é fundamental, e não dá para abrir mão do bem-estar animal”, destaca.

O novo ciclo da pecuária leiteira

Em visita ao empreendimento, o presidente da Cooperabaeté, Rogério Lage, destaca o avanço da região nessa tecnologia. Para ele, os galpões representam um divisor de águas no processo de intensificação. “Temos propriedades no Brasil que já batem em eficiência os países do Mercosul. O futuro da pecuária leiteira brasileira está nisso aqui”, avalia.

Rogério também chama atenção para o aspecto empresarial dos novos projetos: “Nós estamos formando novos empresários da pecuária leiteira. Investimentos como esse precisam ser rentáveis, e é isso que está puxando inovação e modernização no setor”, afirma.

O projeto ainda está em fase inicial, mas já aponta para um caminho de expansão. O próximo passo inclui instalação de pivôs e ampliação do uso estratégico da área. Entre os obstáculos, Bráulio cita questões regulatórias e de licenciamento, que atingem produtores em todo o país. “Quem quer produzir precisa de legislação que acompanhe o ritmo e facilite empreender”, afirma.

Postado por: Renato Alves

📰✨ Jornalista, editora do jornal Cooperabaeté desde setembro de 1998. 🗞️🖊️