Na Fazenda Forquilha, três gerações em harmonia com a terra e o coração

Aos quase 86 anos, José Nazareno Soares acorda todos os dias às 4h da manhã em Paineiras e aguarda, pronto, o carro do filho Mauricélio Soares Branco, o Chicote, que o leva para a Fazenda Forquilha. Nas duas vezes que o filho não pôde buscá-lo, Seu Nazareno simplesmente foi a pé. É nesse ritmo, entre a força do costume e a leveza do sorriso, que ele segue trabalhando de domingo a domingo: ajudando a tirar leite, juntando ovos, tratando dos pintinhos e, como brinca, só evitando os morros, que já exigem mais das pernas.

Seu Nazareno fala rindo. Ri com os olhos, com a boca, com as mãos. Conta causos com gosto e memória afiada. “Eu fiz três coisas na vida: roça, carro de boi e vaca. Já plantei um absurdo de arroz em brejo. Era o trem mais custoso do mundo, principalmente achar comprador. Depois, começamos a arar terra pra todo mundo. Quando acabou a tralha, veio o leite. Já tem uns 50 anos que mexemos Na Fazenda Forquilha, três gerações em harmonia com a terra e o coração Uma trajetória que mostra que a verdadeira sucessão rural é feita de trabalho diário, afeto e confiança. Ao lado do presidente da Cooperabaeté, Rogério Lage, Seu Nazareno, o filho Chicote, o neto Juninho e a nora Ivânia: “Trabalhar em família é bom demais. A gente se entende, confia um no outro. É mais tranquilo, mais amoroso.” com vaca”, diz.

Ele começou com seis vaquinhas e sete litros por dia, entregues em latas à beira da estrada, para o Tonho Leiteiro buscar. Hoje, com apoio da Cooperabaeté, a produção da família chega a mais de 800 litros por dia, em uma área de 50 hectares, numa média de 21 litros por vaca.

Ao lado do pai, Chicote viveu cada etapa dessa história. A emoção, ao relembrar os sacrifícios do passado, ainda o comove. “É o tanto que a gente já sofreu. Hoje, graças a Deus, a vida está melhor. Mas foi muito duro”, suspira.

Casado com Ivânia Pessoa há mais de 30 anos, Chicote criou os três filhos no ambiente da fazenda. Gustavo e Mauricélio Júnior trabalham com ele. Marcela, a filha do meio, vive em Belo Horizonte. “Eles começaram cedo, igual eu comecei com meu pai. E isso é muito bom. Se algum fala que vai sair, a gente já sente falta”, confessa.

Ivânia, que veio da cidade, aprendeu tudo na prática. “Nem acender o fogão de lenha eu sabia. Hoje, a gente faz tudo junto, com união e honestidade. Só entra alguém de fora pra um serviço mais pesado, tipo silagem ou cerca. O resto é tudo mão de obra da família”, ressalta.

Assim, a Fazenda Forquilha destaca-se como um exemplo de sucessão familiar que deu certo, com três gerações envolvidas diretamente na produção e gestão da propriedade.

E a Cooperabaeté faz parte desse sucesso. “Se não fosse o mercado da cooperativa em Paineiras, a gente tava perdido. Fazemos todas as compras lá. De ração e insumos também. Sem falar na assistência técnica, que é excelente. O veterinário, Alexandre, vem aqui todo mês. Isso faz toda a diferença, gado tá todo certinho, cio em dia”, assegura Chicote. Mais que um modelo de gestão familiar, essa história é uma lição de afeto, de compromisso e de esperança. Em tempos em que muitos jovens deixam o campo, ver filhos e netos seguindo os passos dos pais é motivo de orgulho e gratidão.

Neste “Dia dos Pais”, a Cooperabaeté homenageia todos os associados que, como Seu Nazareno, Chicote e seus filhos, ajudam a construir o futuro do campo com suor, sabedoria e união. Parabéns a todos!

Ao lado do presidente da Cooperabaeté, Rogério Lage, Seu Nazareno, o filho Chicote, o neto Juninho e a nora Ivânia:
“Trabalhar em família é bom demais. A gente se entende, confia um no outro. É mais tranquilo, mais amoroso.”

Publicado por: Renato Alves

📰✨ Jornalista, editora do jornal Cooperabaeté desde setembro de 1998. 🗞️🖊️

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