O Dia em que Juca Lage Salvou a Noiva Recém Nascida

Em agosto de 1904, dois cavaleiros pararam na Fazenda Melosos, em Abaeté, para descansar um pouco antes de seguir viagem rumo à Fazenda Candelária. Um deles era o Padre Miguel Vital; o outro, o jovem José de Carvalho Lage, mais conhecido por Juca Lage.

Ao chegarem aos Melosos, encontraram a casa em grande alvoroço: no dia 9 de agosto havia nascido uma menina, mas ela se engasgara logo após vir ao mundo. Juca, então com 19 anos, pediu licença à mãe da criança, Sá Rita, para tentar desengasgar o bebê. Fez a manobra com jeitinho, deu tudo certo, e a menina foi salva.

O que quase ninguém sabe é o que veio depois: emocionado, Juca virou-se para o Padre Vital e disse que um dia haveria de se casar com aquela criança que acabara de ajudar a viver. E não é que casou mesmo?

A menina era Feliciana Pereira, que cresceu nos Melosos até, 18 anos depois, trocar alianças com o mesmo moço que lhe salvou a vida. Juntos, Feliciana e Juca construíram uma família numerosa, espalhada hoje por Abaeté, Goiás, Belo Horizonte e até outros países. Uma descendência forte, unida e cheia de histórias, tudo começado naquele susto na cozinha dos Melosos.

Um causo antigo, mas dos bons: desses que lembram que a vida na roça tem seus milagres escondidos no cotidiano.

Author:
Rogério Lage é presidente da Cooperabaeté.