O Mundo Vuca x Bani – Carta da Diretoria

Em 2019, ao assistir a uma palestra de lançamento do PDGC (Programa de Desenvolvimento de Gestão das Cooperativas), desenvolvido pela OCEMG para mensurar e fortalecer a gestão cooperativista, uma palavra até então desconhecida ficou na minha cabeça: VUCA.

O termo é um acrônimo formado pelas palavras:
Volatilidade: mudanças rápidas e imprevisíveis.
Incerteza: falta de previsibilidade nos resultados.
Complexidade: multiplicidade de fatores interligados que dificultam a análise.
Ambiguidade: dificuldade em interpretar a realidade devido à falta de clareza.

Após a pandemia, esse conceito ganhou um complemento. A chamada Escola do Caos propôs a substituição do VUCA pelo BANI, por entender que a nova realidade exige uma leitura ainda mais profunda do cenário atual. Se o VUCA descrevia um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo, o BANI traz à tona características mais intensas da contemporaneidade:

Frágil: propenso a rupturas e colapsos.
Ansioso: marcado por medo e insegurança diante do futuro.
Não-linear: onde causas e efeitos não seguem lógicas previsíveis.
Incompreensível: diante de tanta informação e complexidade, torna-se difícil compreender plenamente os cenários.

O mundo VUCA, agora aprofundado pelo BANI, exemplifica o tempo em que vivemos, especialmente no Brasil. Para agravar, observamos uma inversão de valores que desafia ainda mais empresas e organizações. Nesse contexto, o agronegócio, assim como todos os setores empresariais, precisa ser sustentado por gestão de riscos.

Sempre repito um provérbio que me acompanha desde os tempos do Educampo:

“Planejando, talvez você erre. Sem planejar, talvez você acerte.”
É um convite à reflexão. Nenhum empreendimento sobrevive sem planejamento estruturado. Alguns veem isso como custo, mas na verdade é um investimento essencial para a sustentabilidade de qualquer negócio.

A expressão “O Brasil não é para amadores” nunca fez tanto sentido. Risco Brasil, taxa Selic, instabilidade política e incertezas econômicas tiram o sono de muitos empresários. É preciso escolher a segurança, ainda que às vezes signifique ganhar menos, mas ganhar com certeza.

Nunca vi ninguém quebrar por ganhar pouco, mas sim por acumular prejuízos. Essa é uma lição que aprendi, de forma marcante, ao negociar um contrato de venda futura de soja. Quando sabemos nosso custo, devemos travar preços para evitar surpresas desagradáveis. Infelizmente, na venda de leite ainda não há essa modalidade, mas em commodities como boi, soja e café já conseguimos proteger nossos produtos.

A Cooperabaeté, consciente desse cenário, tem promovido palestras e debates para incentivar essa mentalidade entre os produtores. Não podemos viver à mercê do mundo BANI.

Cooperabaeté: uma cooperativa que fazemos juntos.

 

 

 

 

Por: Rogério Lage de Oliveira, presidente da Cooperabaeté

Author:
Analista de TI, desenvolvedor e mantenedor do website da Cooperabaeté. Apoiador de open source, foca em soluções de software livre para segurança e eficiência digital.

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