O Valor da Prevenção: Efeitos na Sanidade e na Qualidade

O ditado popular “Prevenir é melhor do que remediar” é muito conhecido e na atividade leiteira, ele é também muito importante. Estudos demonstram que o custo da adoção de medidas preventivas é muito menor do que aquele decorrente, por exemplo, do tratamento de doenças.

Entender o que é prevenção é importante e no contexto da produção leiteira, estamos nos referindo ao conjunto de práticas planejadas para impedir ou reduzir a ocorrência de doenças e garantir a saúde do rebanho e a produção de leite seguro e com qualidade. A prevenção abrange o atendimento de um calendário sanitário, o planejamento nutricional e dieta equilibrada, práticas adequadas de manejo que garantam bem-estar
animal, saúde de glândula mamária (baixa CCS), baixa CPP, altos teores de gordura, proteína, sólidos desengordurados e totais, ausência de resíduos de antimicrobianos no leite, temperatura correta de estocagem do leite, além de protocolos de biosseguridade.

Quando ocorrem falhas na prevenção, temos riscos de surgimento de emergências como, por exemplo, surtos de mastite clínica, aborto por brucelose, casos de tuberculose, aumento dos casos de mastite subclínica (CCS > 200.000 cels/mL no leite das vacas),  aumento de CPP, detecção de resíduos de antimicrobianos no leite e consequentemente, descarte de leite e perdas econômicas significativas.

A biosseguridade é a base da prevenção e envolve práticas como quarentena de novos animais, controle de visitas e veículos, higienização rigorosa e descarte correto de resíduos contaminados. Falhas nestes controles podem comprometer os resultados da fazenda, levando às emergências, em que os custos são muito mais altos.

Doenças como brucelose e tuberculose são zoonoses graves, de notificação obrigatória, que exigem vacinação, controle de roedores, testes periódicos, isolamento e eliminação de animais reagentes. Já a mastite, de grande impacto econômico, requer manejo cuidadoso na ordenha, cultura microbiológica, controle individual de CCS, segregação e descarte técnico de vacas crônicas.

Outra medida importante refere-se à manutenção do rebanho fechado, ou seja, evitar adquirir animais de outros rebanhos sem saber o real estado sanitário deles. Esta é uma medida estratégica que evita
a introdução de patógenos e reforça o compromisso com a sanidade e a sustentabilidade da atividade leiteira. Prevenir continua sendo o melhor caminho.

Quando não implantamos ações preventivas, prejuízos significativos ocorrem por redução na produção de leite e alteração em sua qualidade, perdas de bonificação, descarte precoce de vacas, abortos e outros problemas reprodutivos, custos com tratamento com antimicrobianos, mão-de-obra extra e descarte de leite. Riscos à saúde pública por transmissão de brucelose e tuberculose para o homem, além de problemas
de resistência microbiana pelo uso irracional de antimicrobianos ainda podem ocorrer.

Portanto, se ligue! “Prevenir é melhor do que remediar” e o custo é bem menor.

Publicado por: Renato Alves

Author:
Professora Titular da Escola de Veterinária da UFMG. Parceira da CCPR no Programa Tudo Nos Conformes.

Deixe um comentário