O Abaeté de antigamente tinha suas noites boêmias, animadas e cheias de histórias. Numa delas, uma discussão acalorada entre dois apaixonados acabou em tiroteio. Foram sete disparos de um calibre .22 – o famoso “faleiro”, que mais fura do que mata – deixando o rapaz todo marcado, mas, por sorte, ainda vivo.
Levaram-no às pressas para o hospital, onde foi atendido pelo saudoso Dr. Ildeu Alves de Souza, um dos primeiros associados da Cooperabaeté, que nos deixou no mês passado, mas permanece vivo na memória de todos pela competência e pelo bom humor.
Enquanto retirava as balas e costurava o paciente, a enfermeira, aflita, gritou:
– Doutor, doutor! Ele está com uma bala na boca!
Sem se abalar, Dr. Ildeu respondeu com aquele jeito que só ele tinha:
– Então fala pra ele chupar essa bala aí… daqui a pouco eu tiro ela também.
O paciente sobreviveu para contar a história. E o Dr. Ildeu deixou, mais uma vez registrada, não só sua habilidade como médico, mas também sua marca na vida e no anedotário de Abaeté.
Por: Rogério Lage de Oliveira – Presidente da Cooperabaete





