Sucessão Familiar e Sustentabilidade Marcam Recém-inaugurado Compost Barn da Fazenda Vai e Vem

Conforto animal, manejo avançado e uso de dejetos na agricultura fazem da propriedade um caso de integração entre tecnologia, solo e produção

A Fazenda Vai e Vem, de João Carlos Oliveira, Adriana e Sérgio, inaugurou, há três meses, um compost barn com capacidade para 125 vacas paridas, em um projeto que simboliza não apenas modernização, mas também sucessão familiar. Sérgio assumiu parte da condução técnica da propriedade, articulando reprodução, nutrição, sanidade e manejo da cama, enquanto os pais permanecem na administração e nas operações da fazenda. Para Rogério Lage, presidente da Cooperabaeté, a experiência é exemplar: “Estamos diante de um caso de sucessão que deu certo: um projeto moderno, tecnicamente bem orientado e construído para o futuro”, avalia.

Conforto para todos

Para Adriana, o principal impacto do compost barn vai além dos animais. “Além do conforto para as vacas, teve para nós também. O sistema traz comodidade para quem trabalha”, relata.

O resultado já aparece no manejo diário: vacas mais limpas, queda drástica nos casos de mastite, redução do uso de antibióticos e maior previsibilidade operacional. “Ano passado, nesse calor, tínhamos muito problema de mamite. Hoje, graças a Deus, não tem nenhuma”, completa.

Produtividade sem perdas

no período das águas Embora ainda em fase de adaptação, o composto tem evitado a queda natural de produção que ocorre durante as chuvas. “Sempre perdíamos produção nessa época. Caía média, tinha problema com trato molhado, mastite e casco. Agora, com menos estresse e menos descarte, a expectativa é pagar o galpão com tranquilidade”, afirma Sérgio.

Genética 100% holandesa

A propriedade trabalha com rebanho 100% holandês, resultado de 21 anos consecutivos de inseminação artificial, o que cria base genética consistente para sistemas intensivos. Antes do compost, a média era de
29 litros nos pastos. Agora, a família projeta superar 35 a 38 litros e, com ajustes, chegar a 40 litros.

Para o presidente da Cooperabaeté, o sistema liberou o potencial produtivo do rebanho. “O conforto faz diferença. Mais genética, mais manejo, mais eficiência”, afirma.

Manejo de cama e técnica veterinária

O compost barn da Vai e Vem dedica atenção especial ao manejo da cama, ponto central para longevidade e sanidade das vacas. Sérgio explica o método: “A cama é viva. Ela precisa fermentar a 45–50 graus. Reviramos
duas vezes ao dia. Se a cama morre, aparecem mastite e outros problemas”.

O monitoramento é feito com termômetro de haste e reposição periódica de maravalha, com técnica que reduz presença de bactérias patogênicas e mantém o conforto térmico dos animais.

Eficiência territorial e sustentabilidade

Com a saída das vacas dos pastos, a fazenda ganhou área para outras categorias do rebanho e até para projetos futuros, como a introdução de gado de corte. A intensificação liberou pastagens e permitiu repensar o uso do solo.

Outro diferencial foi a implantação de uma estação de tratamento de dejetos integrada ao hidro roll, possibilitando fertilização orgânica das áreas agrícolas e redução do uso de adubos químicos. “As vacas produzem leite e produzem o próprio fertilizante. É praticamente sustentável”, afirma Sérgio.

O modelo está alinhado às novas exigências ambientais da cadeia do leite e pode gerar bonificações de laticínios que recompensam práticas sustentáveis, especialmente no tratamento de resíduos.
Equipe multidisciplinar e papel da Cooperabaeté A família atribui parte do sucesso ao trabalho técnico conjunto com a Cooperabaeté, que reúne nutrição, assistência veterinária, gestão e agronomia. “Temos produtos de nutrição de excelente qualidade, suporte técnico e o Educampo trazendo os números financeiros. Isso mostra para onde ajustar. E eu entro com reprodução, sanidade e nutrição”, detalha Sérgio.

O projeto ainda está no início, mas a terra já está preparada para a próxima etapa: um segundo galpão complementar, previsto pela família. Como brincou o técnico responsável pela terraplanagem: “quem faz o primeiro, faz o segundo”.

Postado por: Renato Alves

📰✨ Jornalista, editora do jornal Cooperabaeté desde setembro de 1998. 🗞️🖊️