Integrantes da equipe de TI da Cooperabaeté, Mayko, Marconi e Renato: a força do campo está se reinventando e a Tecnologia da Informação tem contribuído muito para essa evolução.
Nas últimas décadas, a Tecnologia da Informação (TI) passou por uma transformação profunda, que impactou não apenas os grandes centros urbanos, mas também, de forma decisiva, o campo e as cooperativas do interior do Brasil. A história da TI se confunde com a nossa própria trajetória na Cooperabaeté, onde, desde 1990, acompanhamos essa evolução passo a passo.
Da informatização à integração
Foi em 1990 que iniciamos a nossa primeira experiência com TI, implantando um sistema contábil. No ano seguinte, a informatização chegou aos supermercados, às lojas agropecuárias, aos postos de combustíveis e aos escritórios em geral. Era o início de uma jornada que acompanharia a própria evolução tecnológica global.
Nos anos 1990, os computadores pessoais começaram a se popularizar, com sistemas como o Windows 95. A internet comercial se expandia, o e-mail ganhava espaço e navegadores como o Netscape abriam as primeiras janelas para o mundo digital. Ainda que os modems dial-up fossem lentos e barulhentos, eles representavam um avanço significativo. Era uma era de descobertas, e as empresas começavam a adotar sistemas ERP e bancos de dados relacionais.
Já nos anos 2000, a conectividade deu um salto. A chegada da banda larga, do Wi-Fi e dos smartphones mudou radicalmente a forma como nos comunicamos e trabalhamos. A TI passou a ser estratégica, com foco crescente em segurança da informação, mobilidade e virtualização de servidores. O surgimento do comércio eletrônico e da computação em nuvem ampliou ainda mais as possibilidades.
Na década seguinte, entre 2010 e 2020, entramos definitivamente na era digital. Cloud computing se consolidou com plataformas como AWS, Azure e Google Cloud. Redes sociais, big data e inteligência artificial passaram a integrar o vocabulário e o dia a dia das empresas. A experiência do cliente ganhou prioridade, e a TI se tornou indispensável para análise preditiva, automação e eficiência.
A revolução do campo
De 2020 até hoje, vivemos um novo salto com a popularização da inteligência artificial generativa, blockchain, IoT e até os primeiros passos da computação quântica. Mas para além das grandes inovações, é no dia a dia do cooperado que essa transformação se revela de forma mais marcante.
Em Abaeté, Martinho Campos, Pompéu e em toda a região, a força do campo está se reinventando. E a Tecnologia da Informação tem sido protagonista nesse processo. O produtor, que antes registrava seus dados em cadernos, hoje acompanha o clima, os preços e o estoque por meio de aplicativos integrados às cooperativas. Sistemas digitais permitem o controle da produção, acesso ao crédito rural e emissão de documentos fiscais com poucos cliques. Resultado: menos burocracia, mais produtividade e, sobretudo, mais tempo para o que realmente importa.

Mais do que tendência, a tecnologia no campo é uma realidade transformadora. Com o suporte de soluções digitais, os associados produzem mais, com maior eficiência e menor impacto ambiental.
O perfil do cooperado também mudou. Jovens acessam cursos online promovidos pela própria cooperativa. Agricultores mais experientes, antes distantes da tecnologia, hoje compreendem seu valor. Até mesmo reuniões passaram a ocorrer por videoconferência, encurtando distâncias e fortalecendo os vínculos entre campo e cidade, entre associados e suas instituições.
A TI como ponte entre tradição e inovação
Importante destacar que a tecnologia não substitui a tradição. Ela a potencializa. É como usar o celular com mãos calejadas: o saber da roça agora está conectado ao mundo. A TI não tira o agricultor da terra. Ao contrário, devolve a ele mais controle, informação e autonomia para produzir melhor, com menos impacto e mais sustentabilidade.
Se há uma revolução acontecendo na zona rural, ela começa com cooperação. E hoje, essa cooperação é digital. Quando colocada a serviço de produtores, por meio de cooperativas que valorizam o humano, a TI deixa de ser apenas uma ferramenta. Ela se torna transformação.
E nessa transformação, não cresce apenas a produtividade. Cresce também a autoestima, a autonomia e, com elas, o futuro de toda uma região.




